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[terça-feira, 14 de março de 2006]

Mudei.

*Vem pra cá!*


Postado por Terráquea às 09:54:50. Comentários *0*

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[terça-feira, 14 de fevereiro de 2006]

Nós da administração estaremos providenciando para que a dona desse blog possa estar novamente escrevendo. Portanto assim que estivermos falando com ela, estaremos arrumando o novo endereço para que ela possa estar postando.

Até lá, continuem esperando.


Postado por Tuka às 17:15:32. Comentários *3*

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[domingo, 15 de janeiro de 2006]

Divórcio.

Por total incompatibilidade de gênios, anuncio meu divórcio com o weblogger.
Quando eu quero postar, ele não deixa. Quando ele deixa, eu não quero.
Não há possibilidade de reconciliação, nem terapia de casal que resolva.
Portanto...
Assim, que eu descolar uma nova casa para morar, informo meu endereço.
Até mais...


Postado por Terráquea às 15:36:00. Comentários *13*

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[quinta-feira, 5 de janeiro de 2006]

Parando de "procurar pêlo em ovo"

Pois bem.
O reveillon foi uma merda, mas o importante é que estamos todos vivos, com saúde, cheios de dinheiro no bolso, etc e tals...
Fico bem mal com algumas coisas quando elas acontecem, mas geralmente é só durante um curto espaço de tempo.
Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima. Adoro essa frase.
Vamos tocar então...

Alguns esclarecimentos:

Parei um tempo de escrever por opção. Total falta de inspiração, saco cheio de blog, essa história toda que vocês conhecem. Quando eu quis voltar, o webbosta, digo, weblogger deu pau. Ele voltou e aqui estou...


No meu último post de 2005 eu estava decidida a prestar concurso público, tal e coisa...
Quero ganhar mais, mas esse não é o principal motivo. O fato que mais pesa em ser autônoma é a insegurança. Não insegurança de quebrar , de ficar sem clientes, afinal, após quinze anos de janela já dá para ter uma noção do mercado. É que após ter meu filho, tenho medo de ficar doente, me acidentar, morrer, enfim, todas essas neuras e deixá-lo desamparado.
Mas quer saber? Eu estava procurando pêlo em ovo. Tenho que ver o lado bom da minha profissão: ter total flexibilidade de horário é uma delas. No dia em que eu iria começar a estudar para o tal concurso, meu filho ficou doente. Não pude deixá-lo na escolinha, levei-o ao médico, passei o dia com ele dando assistência...
E se eu trabalhasse no serviço público? Pior... e se eu trabalhasse no serviço público em outra cidade, o que fatalmente aconteceria caso eu passasse no tal concurso?
Pois é... valores.
O que vale mais? Não pensei duas vezes: meu filho.
Então decidi ficar onde estou , parar de caçar assunto e arrumar soluções para minha insegurança. Afinal, vivo de arrumar soluções administrativas para os outros, por que não encontrá-las para mim?

Aposentadoria?
Poupança e Previdência Privada.

Morte, acidente e o escambau?
Seguro.

Tô segurada até o fio de cabelo.

Agora vou trabalhar e parar de pensar em besteira.
Que venha 2006!!!!!


Postado por Terráquea às 16:35:17. Comentários *3*

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[terça-feira, 3 de janeiro de 2006]

Cenas de (mais um) Reveillon...

Cena 1: A moça estava no carro presa num congestionamento . Desses congestionamentos famosos, rumo a praia para assistir á queima de fogos. Estava louca para fumar. Já eram quase 23h00 e estava sem fumar há muito tempo. Precisava fumar. No carro com ela, a irmã, o cunhado, o ficante e os dois filhos pequenos. Fumantes, só ela e o cunhado. Não agüentaram:
- Vamos saltar para procurar cigarro. Tá "tudo parado" mesmo...
Os não fumantes protestaram:
- Espera aí pô! Que coisa louca por cigarro!
Não atenderam aos apelos e foram...
A fila de carros andou. Eles também. Se perderam no meio da multidão. Tentaram se reencontrar. Em vão.
Faltavam cinco minutos para meia-noite. Cansada de andar a procura dos seus, a moça fumante caiu em prantos.
- Meus filhos! Vou passar sem meus filhos!
Os fogos começaram a explodir no céu.
O cunhado, sem graça, pediu-lhe um abraço de ano novo. No melhor estilo "perco o amigo mas não perco a piada" , sugeriu:
- Acende um cigarro aí, vai...
Quase 1h00 da manhã, após muito andar, se reencontraram. As crianças, aos prantos abraçaram a mãe. Entre os adultos, acusações mútuas, discussão entre fumantes e não fumantes.
- Quem mandou ir comprar cigarro?
- Deviam ter esperado!
Enfim, briga. Reveillon "melado"...

***
Cena 2: Ela não queria ir de jeito algum passar o reveillon na casa da sogra. Mas atendendo aos apelos do marido "que nunca passava o reveillon com a mãe", foi. Fez três pudins de leite moça maravilhosos para levar, contrariando os protestos da sogra de "não precisa". A moça do pudim é assim: gosta de fartura, de mesa farta, de cozinhar para "batalhão". Pilota panelões como ninguém enquanto toma sua cervejinha. A sogra, evangélica, não bebe. Além de ter fama de muquirana.
Apelo ao marido:
- Tudo bem, eu vou! Mas tem que ter uma cervejinha, hein? Reveillon sem cervejinha, não rola...
- Fica tranqüila, vai ter sim. Meu cunhado vai levar dez caixinhas de lata...
Por volta das 21h00, foram. Ás 23h00, o povo verde de fome e nada na mesa. A dona do pudim foi pegar mais uma cervejinha e a sogra protestou:
- Calma. É para tomar "aos poucos"...
Indignada, não quis beber mais. As crianças, reclamavam de fome. Apelou ao marido:
- Já que sua mãe tá escondendo a comida, pega lá meus pudins para dar pras crianças!
Cadê os pudins?
Sumiram. Evaporaram.
Ela trancou-se no banheiro para chorar de raiva da sogra.
E a televisão anunciava o novo ano.

***

Cena 3: Ela não queria ver a queima de fogos na praia junto com a família, pois seu bebê de dois anos já estava dormindo. E além do quê, achava que aquele tumulto não era lugar de criança. Já havia ido no ano anterior. Mas para não decepcionar os demais foi, contrariada. Sabia que o bebê não acordaria com o barulho, pois no ano passado, não acordou. Custava a dormir, mas quando dormia, literalmente desmaiava.
Em meio a jovens baderneiros empunhando garrafas de vinho barato nas mãos, encontrou um quiosque "familiar" para se ajeitar com a família. Sentou. Abraçava seu bebê no colo, tensa, de olho em possíveis brigas ou empurra-empurras que eventualmente pudessem ocorrer. Três minutos para meia- noite. Explosão de fogos no céu. Confraternização. Abraços.
Com o bebê no colo dormindo - alheio ao barulho - levantou-se para cumprimentar as pessoas: primeiro o marido, depois o cunhado... estava mais relaxada.
Enquanto cumprimentava uma amiga da família, ainda com o bebê no colo dormindo, sente uma "coisa gelada e molhada" em sua direção. O bebê acorda aos pulos com o rosto todo molhado e começa a berrar assustado com os fogos. Ficou furiosa e berrou:
- Porra, pára de jogar essa merda, caralho!
Ao olhar quem jogava a champagne, viu sua mãe com a garrafa na mão. Numa fração de segundos, tudo parou. Todos pararam de se cumprimentar. Todos olhavam em direção a ela.
A mãe, sem graça, pediu desculpas, não tinha visto. Na hora acabou a comemoração.
A mãe do bebê queria sumir dali. Havia estragado o reveillon de todos com seu ataque de fúria. Não que não tivesse razão... mas...
Murchos, todos foram embora.
É assim que literalmente "se joga um balde de água (ou champagne) fria", num reveillon...

Todas as histórias acima são verídicas. Infelizmente eu protagonizei a última história. Foi tudo muito rápido, numa fração de segundos eu vi o sorriso de todos que eu amo se apagar dos seus rostos. Fiquei arrasada. No dia seguinte, fiz minhas malas e subi. Meus pais ainda dormiam. Foi um reveillon péssimo, o pior talvez. Passei dia 1o. arrasada.
Caí em prantos aos assistir no DVD do Chico Buarque, Gal Costa e Djavan cantando "Nuvem Negra"...
Vou pedir desculpas. Fui grossa. Sou grossa. No último minuto de 2005, uma nuvem negra passou por mim...

Nuvem Negra
Composição: Djavan



Não adianta
Me ver sorrir
Espelho meu
Meu riso é seu
Eu estou ilhada
Hoje não ligo a TV
Nem mesmo pra ver o Jô
Não vou sair
Se ligarem não estou
À manhã que vem
Nem bom-dia eu vou dar
Se chegar alguém
A me pedir um favor
Eu não sei
Tá difícil ser eu
Sem reclamar de tudo
Passa a nuvem negra
Larga o dia
E vê se leva o mal
Que me arrasou
Pra que não faça sofrer
Mais ninguém

Esse amor
Que é raro
E é preciso
Pra nos levantar
Me derrubou
Não sabe parar
De crescer
E doer...


Postado por Terráquea às 18:04:05. Comentários *4*

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[segunda-feira, 2 de janeiro de 2006]

Surpresa!!!!!!!!

O quê?
Essa birosca voltou a funcionar??????
Aleluia!

...

Daqui a pouco estou de "vorta"...
Bjos e feliz 2006 para todos nós!!!!!!!!


Postado por Terráquea às 13:17:35. Comentários *2*

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[quarta-feira, 16 de novembro de 2005]

Por Enquanto...

Esse blog tem esse título devido a transitoriedade das coisas na minha vida.
Fiz inúmeros blogs antes desse e não dei continuidade a nenhum deles. Esse, já de cara denominei de "Por Enquanto", pois "por enquanto" estou aqui. "Por enquanto" ele existe.
Mas não sei até quando.

Eu, que me achava um poço de solidez, um dia admiti que não era tão estável assim...
E isso me fez mais feliz. Tirei pesos de cima de mim. Acabei com asi "obrigações de fazer, de ter e de ser". Hoje, minha única obrigação é com minha felicidade.

Decidi (de novo) prestar um concurso público. A prova será em fevereiro. Dessa vez, vou me preparar com seriedade. Pretendo só trabalhar meio período e estudar no outro. Vai dar pra estudar umas cinco horas por dia até lá.

Estou escrevendo isso para justificar meu sumiço daqui, por enquanto.

Isso é o que eu quero hoje. Não sei o que será amanhã. Não sei o que vou querer amanhã.

Reformei meu escritório com mil planos empreendedores. A reforma acabou (enfim) e eu vou prestar concurso...

Esta sou eu.

Últimos acontecimentos...

* Eu e meu marido voltamos a jogar frescobol.
* Dia 12/11 meu filho fez dois anos e está lindo...
* Devo ter engordado uns dois quilos por conta das gulosiemas da festinha dele.
(Festa de aniversário é uma atentado contra os regimes!)
* Deu praia no feriadão.
* Beijão "proceis"


Postado por Terráquea às 11:03:50. Comentários *11*

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[sexta-feira, 11 de novembro de 2005]

Texto de Rubem Alves...

Acabei de ler esse texto e gostaria de compartilhar com vocês. É simplesmente maravilhoso...

Tênis x Frescobol
(Rubem Alves) em 21/10/2003


Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: 'Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: 'Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\' Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.'

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra - é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: 'Eu te amo, eu te amo...' Barthes advertia: 'Passada a primeira confissão, 'eu te amo\' não quer dizer mais nada.' É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: 'Erótica é a alma.'

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir... E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:

'Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: 'Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\'. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: 'Tens razão, minha querida\'. A situação está salva e o ódio vai aumentando.'

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...


Postado por Terráquea às 11:51:10. Comentários *6*

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[quarta-feira, 9 de novembro de 2005]

Meu mundo e nada mais...


Sentia-se muito sozinha. E detestava sentir-se assim. Afinal, sempre fora independente em todos os sentidos. Gostava de não ser fraca, orgulhava-se por não ser carente. Em outros tempos sentia-se bem consigo mesma e com sua solidão. O silêncio. Amava o silêncio.Único companheiro em suas leituras, em suas viagens internas...

Entretanto, agora o silêncio parecia não mais um companheiro, mas um adversário. Ouvia-se a gota cair cortante e insistente na pia. Tudo tão vazio...

Ele havia ido embora. Seu companheiro de tantos anos havia ido embora. E junto com ele o som alto, as gargalhadas estridentes, o violão, o jogo de futebol na tv...

A princípio sentiu alívio. Teria enfim um tempo para si, para seus interesses pessoais. Coisas triviais, bobas até, como passar seu hidratante calmamente pelo corpo, poder vestir-se sem pressa, sem incomodar-se com a buzina irritante e intermitente, solicitando apressadamente sua presença.

Nada de barulho. Nada de barulho....

Com tempo - e o tempo esclarece - o tempo e o silêncio foram ficando cada vez maiores. Maiores do que precisara. Começara a questionar-se. Pra que tanto tempo? Pra que tanto silêncio? Pra quê....

Com o tempo - e o tempo esclarece - o tempo e o silêncio passaram a incomodar. Foram meses de desespero. Meses de lágrimas. Meses de sofrimento. Queria que ele voltasse. Suplicava sua presença num choro abafado pelo travesseiro. Queria que ele voltasse com sua bagunça, com o som alto, com o violão e o futebol, que agora ela chamava de vida. Queria que ele voltasse para sua vida com toda sua vida.

Ele não voltou.

Suportou a dor da ausência e por fim, acostumou-se.

Inesperada e inexplicavelmente, um dia ele apareceu. Não para ficar, mas para visitá-la. Ou com a desculpa de visitá-la, sabe-se lá.... Com o tempo - e o tempo esclarece - tudo é possível.

Trouxe com ele o mesmo som alto, o mesmo violão, as mesmas gargalhadas...

Estranhamente isso a incomodou e ficou surpresa com o incômodo. Teve a partir dali apenas uma certeza: queria mesmo ficar sozinha.

Desta vez, definitivamente.
Pensou no tempo. E no quanto o tempo esclarece.



Meu Mundo e nada mais
Guiherme Arantes





Quando eu fui ferido vi tudo mudar
Das verdades que eu sabia

Só sobraram restos que eu não esqueci
Toda aquela paz que eu tinha

Eu que tinha tudo hoje estou mudo, estou mudado
À meia-noite, à meia luz, pensando
Daria tudo por um modo de esquecer

Eu queria tanto estar no escuro do meu quarto
À meia-noite, à meia luz, sonhando
Daria tudo por meu mundo e nada mais


Postado por Terráquea às 13:43:34. Comentários *5*

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[terça-feira, 8 de novembro de 2005]

Sobre o programa Roda Viva...

1. Decepção.

2. O programa foi gravado.

3. Não houve "roda" só um semi-círculo.

4. Os jornalistas estavam em "território alheio", ou seja, na sala de audiências do Palácio do Planalto, o que causou visível intimidação (?).

5. Os únicos jornalistas mais "incisivos" foram: Augusto Nunes (Jornal do Brasil), Heródoto Barbeiro e o apresentador do programa (não lembro o nome). Os demais jornalistas pareciam meros elementos decorativos. Teve gente inclusive que entrou muda e saiu calada.

6. Lula ao responder (?) as perguntas, geralmente emendava outro assunto, geralmente fazendo propaganda das maravilhas do seu governo, dos seus programas sociais. Parecia tática para gastar o máximo de tempo possível do programa.

7. Os jornalistas não tinham direito a réplica.

8. O presidente respondeu, mas não convenceu.

9. Falaram até da vitória do Coringão sobre o Santos...

Palhaçada.
Eu devia ter ficado assistindo a entevista do Roberto Frejat na MTV, que estava muito mais interessante...


Ps. Só para registrar: Essa foi a 2a. entrevista coletiva que Lulla concede desde que tomou posse. Segundo a cientista política Lúcia Hipólito, Lulla se recusa a dar entrevista ampla, aberta a vários orgãos de imprensa, com direito a réplica dos jornalistas...


Postado por Terráquea às 11:54:07. Comentários *4*

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[segunda-feira, 7 de novembro de 2005]

Acho que estou querendo demais...

A entrevista do Lula no Roda Viva, foi gravada e pelo o que já foi divulgado na net o traíra se saiu bem (dentro do que se pode considerar "bem", eu creio)...

A OAB desistiu do impeachment de Lula.

Não teve beijo gay.

Que país é esse??????


Postado por Terráquea às 17:48:50. Comentários *2*

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Lula no Roda Viva

Não perco por nada o programa Roda Viva que vai ao ar hoje pela Tv Cultura.
Aguardo - no mínimo - um massacre.
Qualquer coisa menor que isso irá me frustrar.

Ps: Em breve, voltaremos com nossa programação normal aqui no Por Enquanto.


Postado por Terráquea às 12:49:07. Comentários *4*

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[sexta-feira, 28 de outubro de 2005]

Teatro dos Vampiros


"Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto
E nesses dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos..."


Postado por Terráquea às 10:18:02. Comentários *8*

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[sexta-feira, 21 de outubro de 2005]

"Enchendo linguiça"

O humor tá melhorando mas ainda estou sem nenhuma inspiração. O texto abaixo é uma republicação.
Bjo e bom findi.

Conversa de Mulher

Foi com pesar que eu a vi ali, literalmente jogada num canto. Ela estava realmente acabada. Decidi que daquele dia não poderia passar nosso fatídico encontro. De uma forma ou de outra eu teria que enfrentá-la.
Ela precisava se abrir para mim e despejar sem dó tudo o que continha no seu interior. Mesmo que fosse lixo, muito lixo. E eu sabia que encontraria ali, no fundo do seu ser coisas terríveis...
E foi assim que eu criei a coragem necessária, respirei fundo e resolvi enfim abrir e arrumar minha... bolsa.
Tá pensando que é brincadeira? Olha só o que eu encontrei:

1- Um carregador de celular.
2- Meu celular descarregado.
3- Uma nécessaire cheia de maquilagem
4- Outras diversas maquilagens espalhadas pela bolsa.
Detalhe: Eu raramente uso maquilagem.
5- Uma escova de dentes.
6- Um convite VIP para uma balada que eu sei que não vou.
7- Um "botton" quebrado da Festa do Divino Espírito Santo, aqui da minha cidade.
Detalhe: Calma! É claro que eu não uso "botton" nem que me paguem.
8- Um desodorante spray .
9- Um desodorante em creme.
Detalhe: Pra que dois? Tudo bem que eu tenho duas axilas, mas... (tosco, eu sei)
10- Um porta níquel.
11- Diversas moedas espalhadas pela bolsa.
12- Oito canetas.
Detalhe: Eu não sou parente do polvo.
13- Duas pilhas (????)
14- Dois grampos.
15- Um palpite para a loteria rascunhado num papelzinho.
16- Documentos pessoais espalhados por todo lado.
17- Uma borracha (????)
18- Documentos do meu filho: certidão de nascimento, carteira de vacinação, carnê de pagamento da escola.
19- Diversas contas pagas (graças a Deus!)
20- Cardápio da escola do meu filho (????)
21- Vitamina C do meu filho.
22- Um peão quebrado (calma, é o brinquedo e não um homem!!)
23- Embalagem de um band-aid que foi usado não sei onde.
Detalhe: eu não jogo lixo na rua, só na minha bolsa.
24- Óculos de sol.
25- Óculos de vidro bem vagabundo.
Detalhe: Eu não uso grau. É só para fazer charme de intelectual.
26- Dois botões que caíram de alguma roupa.
27- Controle remoto (quebrado) do portão de casa.
28- Clips diversos.
29- Dois palitos de fósforo sem a caixa.
30- Uma cartela de chicletes de nicotina.
Detalhe: eu ainda fumo cigarros e mastigo os tais chicletes.
31- A chave do meu quarto.
Detalhe: eu não tranco meu quarto.
32- Uma chave de fenda.
Detalhe: eu não tenho a mínima idéia do que isto estava fazendo aqui.
33- Um PLUG que liga não sei o que não sei onde.
Detalhe: minha amiga me ajudou a identificar que aquele objeto era um plug.
34- Um cartão de visita de uma cabelereira que fez a escova mais perfeita que eu já vi na vida e que eu nunca mais voltei lá.
35- Um papel rabiscado com uma tentativa de texto que me foi inspirado enquanto eu observava meu filho comer cenouras cozidas em rodelinhas, que posteriormente as cuspia sem nenhuma cerimônia.

Ah, tá...
Esqueci de mencionar minha carteira de dinheiro.
Obviamente, sem dinheiro.

Ps: Alguém me pagaria para sair desfilando por aí com um botton? Acho que mudei de idéia...



Postado por Terráquea às 14:35:30. Comentários *9*

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[quarta-feira, 19 de outubro de 2005]

Mau humor

Ando bem rabujenta.
Quando melhorar, volto.
Bjos.


Postado por Terráquea às 09:59:07. Comentários *2*

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[segunda-feira, 17 de outubro de 2005]

Campanha: Para cada discurso uma resposta.

E aí?
Você já mandou o Lula %@*H+?^!%%% hoje?????


Postado por Terráquea às 17:34:02. Comentários *6*

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[sexta-feira, 14 de outubro de 2005]

Síndrome de PPPP (Paixão Platônica Pelo Professor)

Calma. Não farei nenhuma revelação bombástica . Estou apenas num momento "recordar é viver"...
Quem nunca viveu uma PPPP que atire a primeira pedra. Aquele "estímulo" avassalador que nos faz ir a aula saltitantes, as seis e meia da matina, aquela sede de conhecimento repentina e intensa, a competição velada para ser a melhor... aluna.

Não posso negar que a PPPP tem um lado bom. Pelo menos nos faz estudar...

Paradoxialmente, comigo nunca aconteceu. Eu passei incólume desde a pré-escola (será por causa das "tias"???) até a faculdade. Dezenove anos de vida acadêmica, sem ser atacada pela PPPP.

Mas no colegial (na minha época era colegial, tá?) assisti de camarote minhas amigas serem atacadas pela síndrome. Se rasgavam por um em especial - o Fernando, nosso professor de matemática. Casado (claro), fazia a linha "tímido e carente". No fundo, um tremendo come-quieto. Bonitinho, mas ordinário. Nunca me interessei pelo tal. Na verdade nem o achava tão bonito. O fato é que ele ficou com a maioria das minha amigas da classe. Para se ter uma idéia de como o cara foi "rodado" até minha amiga Daniela, que trabalha comigo, na-mo-rou com ele. Eu disse namorou, não ficou não. Ela me contou que na época ele se divorciou e eles namoraram um tempo. Como nosso mundinho é pequeno...

Bom, o Fernando participou da minha história de uma outra forma. Era época de formatura e a turma toda foi comemorar em uma pizzaria da cidade. Nessa época eu era apaixonada por um colega de sala que andava me esnobando e que também iria na tal pizzaria. Quando o Fernando chegou, trouxe com ele um amigo - também professor - que eu nunca tinha visto na vida. Comecei a me perguntar como é que eu não tinha visto aquilo. Liindoooooooo!!!! Dava de mil a zero no Fernando. Fiquei sabendo que ele dava aula em outro horário e fazia um sucesso danado.

Passado o impacto inicial, fiquei na minha, afinal meu alvo era outro. E além do mais, aquele "Deus" não olharia para mim nunca. Era uma coisa meio inatingível, saca?

Só que o Universo aquele dia, não sei porque cargas d água, resolveu conspirar a meu favor. O que aconteceu a partir daqui foi um verdadeiro milagre. Não é que o tal bonitão resolveu me dar "atenção especial"? Sentou do meu lado, puxou papo, me cantou... Eu só me beliscava para ter certeza de eu não estar sonhando. Não tanto pelo fato do professor mais cobiçado da escola estar me dando mole, até porque eu não tinha nenhum interesse nele, mas principalmente pelo fato do cara que andava me esnobando estar assistindo a tudo de camarote !!!!!!!

Saímos todos da pizzaria e resolvemos dar uma esticada. Jogar bilhar. Meu coleguinha de classe, chegou perto de mim e me indicou o carro dele, fazendo sinal para irmos juntos. Nessa hora, o super-professor-caído-do-céu-milagrosamente, falou em alto e bom som:

- Não, ela vai comigo...

Isso sem contar que o carro do meu coleguinha era tipo uma Brasília e do professor tipo um Audi.

Lavei a alma aquele dia.

Eu e o professor nunca mais nos encontramos. Parece até que ele só apareceu para me ajudar naquela noite.

O coleguinha esnobador?

Ficou mansinho, mansinho...
Magicamente, se transformou num "fofo" a partir daquela noite...


Postado por Terráquea às 11:42:12. Comentários *7*

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[quinta-feira, 13 de outubro de 2005]

A revanche.

Eu não me dou por vencida facilmente. Ontem, desci para o litoral de novo. E...
Surpresa!!!!
Sol escaldante. Cerveja gelada. Irmãs reunidas por acaso. Cerveja gelada. Muita risada. Cerveja gelada. Filhote comportadérrimo e ultra-divertido. Batidinha de maracujá. Nadica de congestionamento na estrada. Cerveja gelada. Mar.

Sabe o típico dia em que tudo converge para dar certo?

Nada como um dia após o outro.
Existem dias de chuva.
Mas também existem dias de sol!


Postado por Terráquea às 11:17:59. Comentários *4*

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[segunda-feira, 10 de outubro de 2005]

Ter que ver para crer

Eu moro relativamente perto da praia. Cerca de 45 Km (Bertioga - litoral norte de SP), mas vou pouco lá, cerca de quatro vezes por ano. Toda a vez que estou indo para lá, me pergunto por que não vou mais vezes, já que muita gente não tem o privilégio de morar á meia hora do litoral.
Ontem de manhã, ao abrir a janela, o sol invadiu o quarto. Lindo, maravilhoso, forte.
" Hoje dá praia" - pensei. Mas não comentei nada com meu marido. Meia hora depois ele chegou a mesma conclusão. E decidimos ir.
Vamos combinar aqui que ir para a praia com uma criança de dois anos não é o melhor programa do mundo. Só o é, quando vemos seus olhinhos brilharem diante do mar, da areia e da imensidão daquilo tudo. Mas se formos pensar no aspecto prático da coisa, mamadeira, fraldas e etc, é bem desanimador. Mas já estou ficando mais light em relação a isso. Levei os apetrechos de troca, filtro solar, roupinhas para todas as estações do ano e só.

Após uns quinze quilômetros de estrada, o tempo começou a fechar. No sentido contrário ao nosso, passa um motoqueiro fazendo sinal de "negativo" com o polegar virado para baixo.

Eu, pacificadora:

- Tudo bem amor, se o tempo não estiver legal, a gente almoça num restaurante bacana para não perder o passeio...

(Ele mudo)

Cinco quilômetros mais a frente, o tempo estava horroroso...

- Melhor a gente voltar, né não amor???

(Ele mudo)

Mais quilômetros a frente, outro motoqueiro, vestido com uma capa de chuva amarela, faz o mesmo sinal com o polegar de que o tempo estava uma bosta.

- Vamos voltar!!! Vamos voltar!!!
- Bóra amor, vamos voltar nada!
- Amor, você não está vendo, que está chovendo lá????? Olha o motoqueiro!!!

Meus argumentos não foram suficientes. Fiquei pensando porque as pessoas são assim... Tem de ver para crer...

Chegando lá, não estava chovendo. Estava nublado, mas com um ar abafado. O almoço foi ótimo*, mas não deu para entrar na água e só ficamos brincando na areia. Meu marido então, inventou de "lavar os pezinhos" do Lucca na água.
Eu, enfática:
- Não. Isso não vai dar certo. Está frio. E ele não vai querer sair da água...
(meu marido imitando "voz de criança")
- Ih, olha lá, a mamãe é maior "tesoura"...
- "Tesoura"... "Tesoura"

( E eu ainda tive que ouvir isso)

- Então leva. Só que se o "moleque" ficar doente, você é quem vai faltar no trabalho para ficar com ele...

Foram. Ficaram no "raso", só para molhar os pés. Como o previsto, vinte minutos depois, meu marido queria sair da água e meu filho não. Choradeira. Berreiro. De longe, eu batia palmas, sarcástica:
- Parabéns...

Mais berreiros e birras depois, decretei:

- Acabou o passeio, vamos embora!
- Não, mamãe! Não, mamãe!

(Por que sempre a mulher tem que fazer o papel de bruxa da história?????)

E fomos embora...

Ontem, no Fantástico da Rede Globo, passou uma matéria sobre o impacto do nascimento do primeiro filho na vida de um casal, que segundo a terapeuta de casais é a situação mais estressante da família. Foi dito o que eu aprendi na prática: filho não une casal . Pode separar. Se o casal não estiver bem estruturado, um abraço.
As estatísticas mostram que o índice de separações nos primeiros anos de vida da criança,são bem altos. Muitos casais não seguram a onda.

Filho dá (muuuuuuuuito) trabalho, a vida social acaba, a vida sexual perde a qualidade, a divisão de tarefas geralmente gera conflitos, enfim... muitos problemas. Muita gente me avisou mas...

- Eu quis ver para crer!

E vi.
Não me arrependo. Mas não é fácil meeeeeeeeesmo...

*Ir almoçar com crianças dá outro post...
** Meu casamento ainda tá segurando a onda.


Postado por Terráquea às 12:13:00. Comentários *10*

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[quinta-feira, 6 de outubro de 2005]

Caos...

Receita Federal em greve, Sistema do recolhimento do FGTS congestionado e inoperante, alguns bancos parados, enfim... Brasil.

Tô enrolada no trabalho.
Na hora em que eu conseguir respirar, retorno...

Acabei de lembrar de uma frase:

"Na teoria tudo se sabe e nada funciona.
Na prática, tudo funciona e ninguém sabe porquê.
Aqui, conjuga-se as duas situações:
Nada funciona e ninguém sabe porquê!!"

Meu escritório está assim...


Postado por Terráquea às 14:22:45. Comentários *1*

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